Entre os lagos de Udaipur e o deserto de Jaisalmer

A cidade dos lagos também chamada de Veneza da Índia, uma pequena cidade com arte espalhada pelas ruas e um palácio que tardou 400 anos a ser construído. É um lugar onde os apaixonados expressam o seu amor ao caminhar pelo lago ou em passeios de barco.

O pôr do sol aquece a alma e o melhor sítio para observá-lo é à beira do lago a ver os barcos passarem e as andorinhas em conjunto a embelezarem a paisagem.

É uma mistura de paz com a confusão das motas sendo que não comparada às grandes cidades.

Aqui tive a sorte de encontrar um grupo fantástico de Portugueses onde estava o comediante Rui Unas e convidaram-me a visitar com eles o palácio e ainda para almoçar.

Encontrar portugueses em viagem é um prazer, sabe sempre bem falar a nossa língua e trocar impressões, tenho a agradecer a forma de como fui acolhida pelo grupo e ainda ao seu líder de viajem João que me integrou e me proporcionou um dia diferente nesta viagem.

Jaisalmer

Após 12h de viagem num autocarro nocturno chegámos e fomos logo abordadas ainda no autocarro.

”Esta é a paragem final, têm direito a um transfer até ao hotel”

Achei demasiado estranho e sabia que algo não batia bem, entrei no carro com a María e logo aí começou a venda, de tours de camelo e para ficarmos no seu hotel.

”Tenho um hotel com excelentes condições e barato se quiserem podem ir ver.”

e

”Estão interessadas na tour ao deserto? Excelente serviço, barato e com direito a tudo”

Resumindo, a María foi ver os quartos e explicar que já tínhamos reserva noutro sítio, mas que se não gostássemos voltaríamos ao seu hotel (algo que nunca iria acontecer), logo em seguida viu que de nós não levava nada e deixou-nos à entrada do forte onde se situava o nosso hotel.

Explicámos a situação ao dono no nosso hotel e ele riu-se e até disse para confirmarmos se tínhamos tudo na mala. É frequente este tipo de truque para enganar os turistas, sinceramente desde o primeiro momento apercebi-me que dali não vinha boa coisa e a intenção era apenas tentar angariar clientes.

Aqui na Índia há que estar sempre atento ao redor e não confiar à primeira, por isso já sabem se passarem por Jasailmer e tentarem fazer isto com vocês nem sequer respondam!

Jasailmer começou de pé atrás, mas mesmo assim não deixei de confiar, viajar é isto mesmo confiar nos locais, nos viajantes e nas pessoas que se cruzam comigo.

Estava a chover a potes e resguardei-me debaixo de uma lona tal como outros tantos indianos, dou inicio a uma conversa com um deles.

Conversa para lá conversa para cá e diz-me que precisa de ir carregar o telemóvel porque não tem wifi no trabalho (era dono de uma agência de viagens) e vai de mota para fora do forte. Não senti intenção alguma e fui!

Sorte das sortes uma bela de uma Royal Enfield!

Depois de ir-mos fiquei uma bela hora sentada no seu escritório a beber chai e a falar sobre a vida e os seus negócios! Cada dia que passava na sua barraquinha cumprimentava-o! É bom receber desta maneira porque depois de te tentarem enganar há boas surpresas como esta.

Jasailmer marcou-me pela cor dourada, pelo perder-me entre as ruas do forte e pelas vistas da cidade!

Optei por não fazer o Safari com os camelos porque na verdade este ano já estive no Sahara,  este deserto não é tão grandioso, e também ultrapassava o budjet diário.

Jodhpur, a cidade azul

A cidade azul do Rajastão.

No topo do monte está o forte de Mehrangarh onde vivia o Maharajá, a cidade está rodeada com grandiosas muralhas que protegiam antigamente dos ataques.

Food Tour:

Chamo-lhe food tour porque perdi-me pelos sabores onde provei as melhores Samosas uma Bread Omelette conhecida por toda a gente e até um Lassi (este não gostei tanto porque era demasiado doce)

Cada cidade é especial à sua maneira, para mim a zona em redor da torre do relógio (centro da cidade) que é uma influência certamente britânica ao seu redor está o mercado onde se vende de tudo e é impossível não me fascinar com tanto movimento e tanta coisa a acontecer.

5/12/2017

De comboio pela Índia

Depois de andar à boleia, comboio é dos meus transportes preferidos para viajar, e aqui na Índia não tenho dúvidas disso. A rede de comboios é vasta e as cidades estão muito bem interligadas. As horas é que nem sempre são certas (quase nunca) os comboios poderão atrasar-se 1h, 2h, 3h, … 1 dia. Sim é possível. Até agora considero-me sortuda porque só tive um que se atrasou 6h.

Há comboios que cruzam o país e demoram dias e dias.

Opto por fazer as viagens sempre de noite em Sleeper class (a que aconselho a viajarem), é a classe onde vão todos os locais e há camas para passar a noite, não prometo uma noite bem dormida pois há sempre pessoas a sair e a entrar, as janelas não fecham bem e por vezes faz um frio de rachar, se o comboio estiver lotado certamente não encontraram o lugar vazio quando chegarem à vossa cama, pessoas a dormirem no chão.

Para quem gosta de viagens mais confortáveis e seguras poderá sempre optar pelas classes mais altas mas obviamente pagará mais por isso.

Durante uma viagem de comboio:

Através desta janela vejo um mundo tão desconhecido,

As janelas sempre me mostraram outra visão,

Desde a janelas de casa onde observo as pessoas que pela minha rua passam,

Às janelas do autocarro que mostram os flashes das paisagens e das longas estradas de alcatrão,

As janelas do avião, que dão outra perspectiva da paisagem,

E por fim à janela deste comboio onde me encontro, que percorre kilometros de terra pela India e isto faz-me ficar congelada a observar.

Uma janela aberta para o mundo, é o meu observatório preferido.

Pushkar

Pushkar é uma cidade situada no distrito de Ajmer a cerca de 10 km, é um local de peregrinação para Hindus e Sikhs porque diz-se que Lord Brahma, o criador do universo,  quando deixou cair da mão a flor de Lotus no vale  surgiu o lago sagrado.

É ainda conhecido pela feira de camelos (Pushkar Camel Fair) realizada em Outubro ou Novembro, e leva ao movimento de muitos feirantes de toda a parte do Rajastão. São mais de 50 000 camelos vindos de várias zonas para serem trocados ou vendidos.

Pushkar é sem dúvida um sítio para relaxar, e respirar da confusão do Rajastão, puderam ainda guardar as compras e os souvenirs para aqui pois há imensa variedade e a preços excelentes!

O meu momento preferido em Pushkar foi subir ao Savitri Temple e daí ver um poderoso pôr do sol (Não fosse eu uma coleccionadora de fins de dia)

02/12/2017

Jaipur e o mundo de Alladin

Jaipur foi a minha entrada no estado do Rajastão,  como eu lhe chamo, a terra do Aladdin, o descobrir de um mundo novo. Senti-me a sobrevoar a cidade rosa com o tapete mágico.

Jaipur é a capital do Rajastão e é conhecida como “A cidade rosa”, já que em 1876 o seu marajá (rei de cada estado) mandou pintá-la dessa cor, para a visita do Príncipe de Gales.

Os edifícios são todos avermelhados e com uma grande influência Árabe . As ruas são caóticas e passam todo o tempo a buzinar, ao passear pelos mercados não há vendedor que não me aborde.

É um choque de cores, de sons, de cheiros e de tudo. Um mundo que nunca vi, e estranhamente gosto. Ao final do dia chego de rastos e consumida mas feliz.

Explorar Jaipur foi uma surpresa, especialmente o Monkey Temple e Amber Fort que ao ir sem qualquer expectativa me surpreenderam.

Hawa Mahal

Não entrei no palácio porque era demasiado caro e viajando por largos meses tenho que fazer escolhas, mas tenho a certeza que a fachada da parte de fora era a parte mais bonita do palácio. Tem 953 janelas pequenas e a verdadeira intenção era permitir que as mulheres pudessem observar o dia-a-dia e os festivais sem que pudessem ser vistas, visto que tem que obedecer estritamente ao ‘’purdah’’ (ter a cara tapada).

Monkey temple (Galtaji) 

Um templo parado no tempo, construído entre as montanhas de Aravali a 10km Este de Jaipur, conquistado e habitado pelos macacos, faltam-me as palavras para descrever, mas as cores e a mística do lugar captaram a minha atenção. A pesar de ter sido deixado ao abandono e com pouco restauro o templo continua com uma beleza única.

Amber Fort

Este forte fica situado na cidade de Amer, nos aforas de Jaipur, mas merece toda a atenção, construído de pedra arenosa e mármore a sua beleza não vai desiludir também ele construído na cadeia de montanhas de Aravali.

É possível encontrar elefantes que fazem um pequeno circuito em torno do forte, mas eu como protetora dos animais não o fiz e apelo para não o fazerem, para não contribuirem para o mau-estar animal e quando viajem que pratiquem um turismo sustentável, antes de fazerem alguma actividade com a utilização de animais que se informem primeiro em que condição estão os mesmos. Por vezes há actos que valem mais que ‘fotografias ou likes no facebook.

O forte era um conto, foi perder-me pelos labirintos e descobrir os cantinhos mais preciosos.

Bazares e Portadas

Atenção aos viciados em compras por aqui ”é tudo 100 rupias!”  Aqui fica o aviso para não perderem a cabeça.

As portadas são magnificas e podia estar horas só observa-las.

A confusão de Jaipur encantou e as cores do Rajastão fizeram parar e absorver tudo!

01/12/2017

Belisquem-me para ter a certeza que estou aqui – Taj Mahal

”Ir à India e não ver o Taj Mahal é como ir a Roma e não ver o papa”

Bem, não concordo na totalidade, porque a Índia é muito mais do que este belo mausoléu.

Este é daqueles checks que metemos na nossa lista de ”O que fazer antes de morrer”, nem eu algum dia acreditei que estaria aqui.

O Taj Mahal está situado em Agra, que como cidade não tem nada de interessante a não ser o forte de Agra e a maravilha do mundo.

Eram 6 da manhã e estava pronta para sair do hotel, vou ser sincera estava em pulgas para ir ver o nascer do sol. Parecia uma criança ansiosa para abrir as prendas na meia-noite de Natal.

Entrei e por momentos não acreditava no que via.

”Belisquem-me para ter a certeza que estou aqui”

Colocado ali no meio do caos, um pedaço de ”céu”, paz e serenidade.

Um símbolo de amor e uma história incrível para pôr este mausoléu de pé em 1643, mais de 20 000 trabalhadores e um investimento de 827 milhões de dólares.

Uma simetria incrível e a simplicidade cara,conquistaram-me, digo cara pois a maravilha está incrustada com pedras semipreciosas, tais como o lápis-lazúli entre outras originárias de toda a parte da Ásia.

Por vezes sinto-me a viver um sonho ao qual não quero acordar, ver todas estas belezas, conhecer este mundo que só o via através dos olhos dos outros, e agora são os meus próprios olhos que observam estas maravilhas.

Fiquei perplexa ao visitar o Taj Mahal, e ficaria horas a observá-lo, simetricamente cada ponto, cada canto e cada pedra. A história está escrita e um monumento bastante ”vivido” e eu estou ali, no meio de tantos outros turistas, sinto-me que nem um grão de areia. Que passinho a passinho vai conquistando o seu mundo.

A viajar apaixono-me todos os dias pela vida.

Estes são sentimentos que não se repetem a não ser que os busques de alguma forma. Eu encontro-os a viajar.

Quem está comigo?

A María, vão começar a ouvir falar da María, conhecia no trekking do circuito da Annapurna, após conversas percebemos que íamos as duas sozinhas para a Índia nas mesmas datas. Não me juntaria a qualquer pessoa, mas este ser é a peça do puzzle que por vezes falta ao viajar. Somos muito parecidas, loucas. Loucas pela vida, loucas por viagem e loucas por si só. Ela tem mais juízo, talvez sejam os meus 22 anos e os 27 dela que se completam.

Vive em Barcelona, desde sempre teve a paixão por viajar, começou jovem e quando um dia ninguém a quis acompanhar numa viajem, foi sozinha, e desde então (tal como eu) vai só. Adora dançar, fazer mergulho, Yoga e um café com leite de soja. Já está há 4 meses a viajar e não há data para regressar.

Javi e Alba

Este casal é uma inspiração, deram a volta ao mundo, sim a volta ao mundo. Regressaram em Fevereiro deste ano após 1 ano de viajem, voltaram a trabalhar e tiraram 1 mês para vir à Índia.

Também eles de Barcelona, apaixonados conquistaram um sonho em conjunto, venderam tudo e foram,  mostraram a quem não acreditava que é possível conquistar o globo com pouco dinheiro.

A Alba tem um coração mole e um sorriso sempre na cara, preocupada com quem a rodeia e sempre atenta.

O Javi sempre bem disposto e com piadas sempre prontas, gosta de pôr em prática as poucas palavras que sabe em português e até se safa.

28/11/2017

Rodeada de boas pessoas

Ainda em Varanasi quero partilhar os momentos mais marcantes convosco, ao estar sozinha sou um alvo fácil, quer para os acontecimentos maus mas também para os acontecimentos muito bons, e são estes acontecimentos muito bons que vou partilhar com vocês.

Tive sorte, encontrei-me com uma família de 3 catalães o Quico, a sua filha Sira e o Andreu, tem um espírito de viagem incrível e eram apaixonados por Varanasi, e ensinaram-me alguns dos seus segredos e das suas pessoas como o Babu.

O Babu tem um restaurante ‘‘ Nice Restaurant’‘ e uma Guest House onde fiquei hospedada, é um cozinheiro maravilhoso e as refeições foram todas feitas ali, o típico ”Bom e Barato”.

A relação próxima que Quico tinha com Babu permitiu-me aproximar dele e da sua família, e no dia antes da minha partida fui convidada para o casamento da sobrinha da sua irmã ( Acho que estou a dizer corretamente).

Haverá maneira mais épica de começar uma viagem pela Índia? Já estava apaixonada por tudo o que tinha visto e isto agora? Não sei se lhe chame sorte, não sei se lhe chame entrega, estou a absorver tudo e estas oportunidades deixam-me de sorriso na cara.

Era a recepção do casamento, pois já se tinham casado na semana anterior mas os casamentos Indianos podem durar até 1 semana. Não esperava um espaço tão grande, nem tantas pessoas, eram mais de 1000 pessoas! Uma variedade de comida incrível e deliciosa, no meio de tanta gente sentia-me uma indiana disfarçada, a comer com as mãos, a passar despercebida no meio de tanta cor, por vezes olhavam-me e sorriam timidamente.

Toda a preparação foi incrível, vestiram-me um sari (o vestido indiano), maquilharam-me e transformaram-me numa indiana.

Experiências de mergulhar na loucura pura do país não surgem todos os dias por isso aproveitei este momento como sei.

Outro momento que me marcou foi ter conhecido Shukdev, já tenho falado várias vezes no blog que utilizo bastante a plataforma couchsurfing e foi aqui que o conheci.

Levou-me de mota pela confusão das ruas de Varanasi, tudo se passava, a buzinadelas, as vacas a cruzarem-se pelo caminho, os tuk tuk que não têm regras e até pessoas a levarem os corpos para os crematórios. Acho que só vivendo mesmo, não consigo comprar este caos com alguma coisa que já tenha vivido. ”Welcome to Índia” pensava eu a rir.

Levou-me ao Blue Lassi, ao melhor Lassi de Varanasi que estava delicioso, fomos jantar a um restaurante típico e ainda me levou a um templo fora da cidade e explicou-me toda a sua história.

Encontrei-me com o Shukdev várias vezes e criei um laço especial, sentia-me bem com ele e aprendi imenso somo a religião Hindu e sobre a sua cultura. Uma partilha sem filtros onde sempre dei a minha opinião e ele a dele, super curioso sobre a minha vida em Portugal e o porquê de optar por viajar assim.

É pena estas pessoas serem uma pequena passagem na vida, pois há tanto para falar, dei por mim perdida nas horas a receber tanta informação. Foi incrível.

Se passarem por Varanasi e este ser é uma das pessoas que têm que conhecer, mas têm que estar preparados porque vão aprender muito desta só pessoa.

Obrigada Shukdev.

Varanasi, um amor à primeira vista

Depois de 5 meses no Nepal sinto-me renovada, todos os ensinamentos  que as montanhas me ofereceram, todas as pessoas que conheci, e a paz e felicidade que preencheram a alma e o coração.

Pudesse eu explicar o que sinto através de palavras, fosse eu um Fernando Pessoa e faria dos sentimentos um livro que moveria mundos e vidas, não sendo, movo o meu mundo escrevendo o que sinto já me é suficiente.

Agora ao iniciar a minha viagem pela India pergunto-me,

Será possível apaixonar ao chegar?
Será possível ser abraçada pela cultura e religião?
Pintaram-me o caos e assustaram-me com histórias tuas, mas não passou disso. Ao sentir-te apaixonei-me.
Olá Índia.
Olá Varanasi.

Varanasi é a cidade habitada mais antiga do mundo e a mais sagrada da Índia, a cidade onde muitos escolhem terminar a sua passagem por esta vida porque acreditam que se a suas cinzas forem deitadas no rio Ganges acabam com o ciclo da reencarnação e alcançaram a paz interior. O rio sagrado nasce nos Himalaias e  cruza uma Índia que o cuida de uma forma especial, especialmente em Varanasi.

Ao longo dos Ghats (portas) é possível ver as pessoas a tomarem banho, darem banho às vacas, lavarem a roupa, os dentes e até a beberem água. Resumidamente tudo se faz no Rio Ganges.

Neste rio são atiradas as cinzas dos corpos previamente cremados nos ghats, os corpos das crianças, das mulheres grávidas, dos animais, de pessoas mordidas por cobras, ou doentes de lepra são afogados pois estes não podem ser cremados.

Uma caminhada pelos Ghats tem muito que se lhe diga, é um ensinamento, uma escola. Fui questionada uma série de vezes, acompanhada por locais curiosos sobre mim, o que fazia ali, quem eu era e no que acreditava. Partilhando comigo a sua sabedoria ganha ao longo dos anos de meditação e encontros interiores.

Há sempre coisas a passarem-se ao longo do rio, por isso o melhor é sentar e desfrutar o ambiente, as pessoas, as conversas acompanhadas pelo belo chai.

Passei horas sentada a escrever e falar com estranhos, bebi um número incontável de chais e apaixonei-me por esta cidade.

O que fazer por Varanasi?

1.Uma volta de barco e ver o nascer do sol.

A não perder não só pela bola de fogo que nasce no rio Ganges, mas por todo o ambiente do acordar de Varanasi, a mística que há no rio pela madrugada. Já há pessoas a tomarem banho, outras a rezarem e outras a lavarem a roupa.

Pelo barco é possível ter uma vista mais panorâmica sobre os ghats.

2. Beber chai e sentar nas escadas a observar e absorver

O meu preferido! Tive oportunidade de falar com muitos locais sobre a vida em geral e conseguir compreender mais a visão do hinduísmo. Ver a morte com outros olhos e a beleza que é o apego que estas pessoas têm a este rio, e o carinho com que o cuidam.

3.Ceremonias de fogo na ghat Dashashwamedh

4. Amanhecer no Asi Ghat e aproveitar a aula grátis de Yoga

5. Perder-se pelas ruas de estreitas Bangali tola e descobrir a beleza de o dia-a-dia na cidade mais velha do mundo.

6. Tomar um Lassi na famosa loja : Blue Lassi

Langtang & Lagos Gosaikunda

Depois de 15 dias de trekking pelo circuito de Annapurna, que fizeram maravilhas ao corpo e à alma decidi aventurar-me por mais montanhas, desta vez pela zona de Langtang e dos lagos sagrados de Gosaikunda.

Aqui partilho partes do diário em dias que me marcaram mais, ou simplesmente é o que neste momento me faz sentido partilhar com vocês.

Aqui vai!

6/11/17

Localização: Woodland Guest House

Langtang foi das áreas mais afetadas pelo terramoto de 2015, e é notório quando se lá passa.

Uma derrocada gigantesca de um glaciar que destruiu um vila e mais de metade da população morreu. É incrível passar ‘’por cima’’ do que um dia foi uma aldeia, subterradas naquela imensidão de rochas estão vidas, histórias, pessoas..

Langtang renasceu a uns km mais à frente, famílias que perderam tudo recomeçaram do 0 com ajudas de ONG’s e com o resto de fé que ainda tinham.

Perguntar aos locais sobre o terramoto é fazer-lhes recordar o pior dia das suas vidas e da sorte que têm de estar ali para contar a história.

É triste saberem que pais, irmãos, amigos estão a escassos metros debaixo de escombros.

Caminhar por Langtang é emocionante e sente-se uma mística no ar, uma paz triste, uma força da natureza impossível de combater.

Relembro também as pessoas que como eu, que vinham conquistar montanhas e cumprir sonhos, estar em harmonia com a natureza acabando por perder a vida neste desastre natural.

Creio que toda as estrelas que beijam este céu são aqueles que perderam aqui a vida.

Hoje, longe da azafama da rotina da vida real, das horas, das regras. Estou perdida no tempo e no espaço. Isto traduz-se em felicidade.

9/11/17

Gosaikunda (4400m)

Os lagos sagrados, onde se diz que se se mergulhar ganhamos poderes do deus Shiva, mas com este frio torna-se uma missão quase impossível.

Este ambiente e os lagos rodeados pelas montanhas nevadas fizeram-me ficar por mais uma noite, o Inverno começa em 1 semana e os lagos vão congelar e tudo ficará mais branco.

É extraordinário pensar que estou no meio das montnhas que o tibete é já ali que me superei a todos os níveis.

Foi 1 mês a caminhar, de descoberta interior e de conhecimento pessoal, foi testar os limites e viver em pleno.

Perder-me nos dias e nas horas e não ter planos ser o maor dos planos. Estar longe do mundo e da realidade da vida que nos consome sem que nos apercebamos disso.

Estar aqui é fugir mas também encontrar algo nunca antes sentido.

(Demasiado frio, a garrafa de água ficou de fora e congelou)

12/11/17

Localização: Chisapani

O fim de mais uma caminhada viver é experimentar e não ficar a pensar no sentido da vida.

Por vezes é preciso para longe antes que possamos compreender o que está perto.

Nasci viajante, há algo em mim que me move constantemente a explorar, a buscar o meu interior por mais que esteja sempre comigo. Há um mundo que me faz sair de casa e encontrar-me com a vida constantemente.

‘’ Os sonhadores não podem ser domados’’

Agradecimento:

Quero agradecer ao Romén que conheci no segundo dia do trekking numa guest house que me acompanhou na conquista desta montanha! Por todos os momentos partilhados motivação e força de vontade.

Começamos um caminho sozinhos mas a verdade é que há sempre alguém especial que se cruza pelo caminho!

Vêmo-nos nas Canárias, em Portugal ou pelo MUNDO!

HASTA PRONTO AMIGO 😀

Desabafos p’las Annapurnas VI e VII

-Thorung High Camp-  (4800m)

17/10/2017

Hoje era uma distância curta, mas íamos subir até aos 4800m logo já sabia que de fácil nada teria. Hoje ficamos no Campo alto de Thorung pois amanhã é o dia D, cruzar o passe.

Fui devagar, ao meu ritmo. As subidas já em certa altitude cortam a respiração e cada passo é um desafio.

Antes da maior subida parei uns 30 min e comi um chocolate que ”soube a pato”.

Estar em sintonia com a natureza ajuda a ultrapassar cada desafio. O silêncio, o vento, os pássaros.

Parar, respirar olhar em volta e voltar a caminhar.

‘’ Que sorte tenho em estar aqui’’

Que feliz sou quando entregue às montanhas, ao mundo virgem e ás pessoas de alma desprendida.

Por mais que custe a subida, o topo é vitória, porque eu consegui! E quando rodeada de pessoas que te motivam mais fácil se torna.

À chegada já estava Laura, Juan e Rámon a esperar com um sorriso e um abraço.

Partilhamos vitórias e sofremos juntos.

Foi um dia de volta da mesa, rodeada de pessoas que aquecem a alma!

Como vou guardar estes ninhos e passarinhos no meu coração.

(Espanhóis são ninhos e passarinhos, expressão usada pela minha mãe porque falam muito)

-Thorung la Pass-

(5455m)

18/10/2017

O DIA D

Chegou o dia mais esperado, cruzar o ponto mais alto do circuito da Annapurna.

Uma subida que podia correr mal, uma montanha que podia ter ficado por escalar. Um sonho que poderia ficar por cumprir.

Mas em primeiro lugar estamos nós e a nossa saúde.

Foi uma subida de 5km, onde escalaria quase 1000m, o ponto mais alto em que estive na minha vida.

Coragem e força de vontade, iniciei a subida, os primeiros metros são complicados, o corpo está frio e a habituar-se ao ritmo. Depois de aquecido pensava que seria mais fácil, mas não. Era só subir, e cada passo custava mais que o outro, a respiração tinha que ser controlada e as paragens ao longo do caminho para acalmar o batimento cardíaco, pois por vezes parecia que o coração ia saltar pela boca.

Assim que ia subindo senti a pressão na cabeça e o estômago a dar voltas, aí tudo complica. A cabeça parece que vai rebentar cada vez que subo uns metros.

Que jogo físico e psicológico constante.

‘’Faltam 10 min’’

E não parei de subir a minha montanha, de alcançar o meu objectivo. E já a chegar avisto laura de sorriso estampado no rosto e de braços abertos para me apoiar! Não consegui segurar as lágrimas, chorava de felicidade emoção e cansaço.

Foram tantos dias a caminhar, a partilhar e a chegar àquele ponto foi escalar a montanha que tanto desejara e poder partilhar a dor, o sofrimento, a emoção, a felicidade com todas estas pessoas tornou a caminhada tão mas tão mais rica.

Subi com a Eva e o Israel que me motivaram até ao fim!

Conseguimos! E a vitória partilhada sabe tão melhor!

Testar o corpo e a mente desta forma foi dos maiores desafios até hoje, e este desafio fortaleceu algo que estava por descobrir em mim.

A descida foi dolorosa, a cabeça latia a cada passo e os joelhos reclamavam foram 3h de descida a pique. A Eva e Israel estavam comigo, estava com sérias dores de cabeça e tinha que parar imensas vezes, acompanharam-me até ao final. Como pessoas que ao cruzar um olhar podem não nos dizer nada e depois tornam-se companheiros de uma viagem que fica marcada para a vida?

Mais uma vez, exaustivamente feliz!

E estou inexplicavelmente de coração cheio.

(No topo só me lembrava de Hakuna Matata, a vida sem problemas!)